TV Digital

18 INTRODUÇÃO A TV DIGITAL

Este capítulo tem como objetivo apresentar conceitos de TV Digital, onde iremos detalhar brevemente o histórico da TV no Brasil, desde a televisão preta e branca até a TV Digital. Serão descritos também os principais tipos de codificação de vídeo e o protocolo de transmissão de vídeo RTP[125].


18.1 TV DIGITAL

A televisão foi, e é o principal meio de comunicação e entretenimento da população no último século. Tendo como base a transmissão por difusão, isto é, o mesmo sinal de antena enviado por uma estação de televisão é recebido por milhares de residências, sistema conhecido como broadcast.

No Brasil, estima-se que 90% da população obtêm acesso a pelo menos um canal aberto de televisão. Esta cobertura ainda não foi atingida por nenhum outro meio de comunicação e talvez esta conquista nunca seja realizada pelos outros métodos de acesso existentes hoje, nem mesmo na Internet.

18.2 TV EM PRETO E BRANCO

Criada pelos americanos, a TV Preto e Branco, baseava-se nos cinemas antigos. O padrão trabalhava com as seguintes características:

  • Relação do aspecto imagem (largura/altura) é de 4:3;
  • Transmissão de 30 quadros por segundo;
  • 525 linhas por quadro.

A Televisão Preto e Branco só foi possível de ser criada devido a uma curva de luminosidade relativa ao olho humano, conforme ilustrado na figura 18.2:

Figura 100 - Curva de luminosidade relativa ao olho humano.

Figura 18.2 – Curva de luminosidade relativa ao olho humano

Fonte: adaptado de TV digital e a invasão por privacidade

18.3 TELEVISÃO EM CORES

Surgida posteriormente, a TV em cores só foi possível devido ao fato do olho humano possuir sensores conhecidos como cones, que são predominantes as cores: vermelha, verde, azul como representado na figura 18.3:

Figura 100 - Sensibilidade dos cones do olho humano

Figura 18.3 – Sensibilidade dos cones do olho humano

Fonte: adaptado de TV digital e a invasão por privacidade

Baseando-se neste principio a estação utiliza uma câmera tricromática com filtros que analisam toda imagem conforme as curvas. Criando três sinais conhecidos como: R (Red), G (Green) e B (Blue). As transmissões das imagens e dos sons da televisão são feitas de forma analógica (ondas eletromagnéticas), cuja frequência pode ser medida em Hetz. A largura da banda, conhecida também como faixa de transmissão é de 4 Mhz (Mega Hetz), ou seja, 4 milhões de oscilações por segundo.

O receptor por sua vez usa uma tela luminescente com três feixes, e ao receber os sinais R, G e B, excitam proporcionalmente as cores corretas e reproduzem assim a imagem original.

18.4 TELEVISÃO DE ALTA DEFINIÇÃO

Os japoneses realizaram vários estudos e a partir de então, iniciou a evolução da televisão de alta definição. Desenvolveu-se um sistema analógico que permitia a transmissão de som e alta qualidade que possibilitava a transmissão de um número de linhas maior que o dobro do já vinha funcionando, passando de 525 para 1125. Os japoneses chegaram a um resultado satisfatório desta tecnologia no início da década de 80. As pesquisas evoluíram em um padrão de testes internos para então derivar um padrão de transmissão tanto para sistemas de cabo e difusão terrestre como sistema de satélite. Desta forma o primeiro sistema de televisão em alta definição a ser comercializado foi o sistema japonês.

O Sistema MUSE[89]  é capaz de fazer com que um sinal de alta definição com mais de 1 Gbit/s de informação, seja codificado em um canal de 27 MHz de largura de faixa e seja compatíveis com os canais disponíveis em satélite.

Os europeus não ficaram atrás e iniciaram suas pesquisas para melhoria da qualidade da televisão utilizando-se de tecnologia analógica. Em 1986, iniciou-se o projeto da Comunidade Européia (Eureka[1]), que financiou o desenvolvimento do sistema (MAC). Este padrão baseava-se na digitalização e compressão não dependendo de nenhum componente de croma e utilizada de técnicas analógicas para a composição final do sinal. Uma versão posterior da tecnologia foi chamada de HD-MAC[58]  (High Definition – MAC). Porém esse sistema não foi bem sucedido no quesito comercial e em 1953 a comunidade européia voltou seus esforços de pesquisa na direção de um padrão totalmente digital.

18.5 HISTÓRIA DA TV DIGITAL

O inicio da TV Digital ocorreu em 1970, através de um patrocínio do Japão NHK[2] onde os cientistas do NHK Science & Technical Research Laboratories, desenvolveram a TV de alta definição, hoje conhecida como HDTV[59].

O intuito dessas pesquisas tinha como objetivo encontrar uma solução tecnológica que possibilitasse aos telespectadores apreciar as sensações mais próximas possíveis, de imagem e som, até então conhecidos apenas nos cinemas. Além da necessidade de nitidez da imagem e estabilidade na transmissão, são indispensáveis telas maiores e com dimensões proporcionais às das salas de projeção.

Para conseguir o resultado esperado, foi preciso aumentar o número de linhas e colunas de resolução do receptor. Neste ponto foi identificado pelos japoneses, que seria muito difícil melhorar a qualidade da transmissão a partir da plataforma analógica que era utilizada, e também não existia tecnologias na época capaz de realizar a compressão necessária para a transmissão das informações no volume exigido pela alta definição, baseando-se em um canal tradicional de 6 MHz. Este problema foi resolvido com tecnologias de compressão e multiplexação.

Em meados de 1980, um consórcio de empresas iniciou o projeto de transmissão do serviço Digital Hi-Vision Broadcasting durante uma hora por dia. Este foi o marco de início doHDTV[59]. Na mesma época na Europa, pesquisadores patrocinados pela Comunidade Européia iniciaram o estudo para desenvolvimento de um padrão, e finalmente em 1986, encontraram uma alternativa similar a japonesa, esta foi conhecida como MAC. Foi criada a HD-MAC[58] com maior resolução para alta definição.

No final da década de 1980 e inicio da década de 1990 houve a implementação da solução final da tecnologia conhecida mundialmente como MP3; o formato mais usado para compressão de arquivos de áudio da Internet. Em 1994, criava-se o MPEG-1[86] e MPEG-2[86]. Com imenso poder de compressão, a segunda versão desta tecnologia tornou-se o padrão oficial para sistemas de DVD[29] e da TV com alta definição (HDTV).

No ano de 1995, o ACATS[1][3] recomendou que a agência do governo dos EUA[40]  sugerisse o ATSC[4] para ser adotado como padrão norte-americano de televisão Digital. Um pouco antes disso, foram detalhadas as partes que comporiam o sistema, entre elas:

  • Codificação de áudio e vídeo;
  • Multiplexação de sinais;
  • Modulação para transmissão;
  • Demodulação de áudio e vídeo para a recepção.

No ano de 1999, as emissoras estabelecidas nos 10 maiores mercados regionais americanos e também afiliadas às maiores redes de Televisão (ABC, CBS, FOX e NBC), requisitaram autorização para realizar a transmissão em sinal digital. Aproximadamente seis meses essas afiliadas entraram na fila pelo canal digital nos 30 maiores mercados dos Estados Unidos. Já todas as outras estações comerciais, e as independentes, iniciaram na data 1° de maio de 2002 as suas transmissões digitais. Já as emissoras não comerciais iniciaram suas transmissões somente em 1° de maio de 2003.

O padrão Europeu e Japonês tinham diversas semelhanças, porém o padrão Japonês tinha um diferencial importante, onde sua plataforma suporta múltiplas aplicações. Desta forma um canal de 6 MHz foi projetado para suportar 13 serviços ou emissoras diferentes. No final do ano de 2002, houve a substituição pelo padrão totalmente digital ISDB[65][4]. Os EUA[40]  lançaram comercialmente os serviços de televisão digital terrestre a partir de 2003.

18.6 CAPACIDADE DE TRANSMISSÃO DE CANAIS DIGITAIS

De acordo com o teorema de Shannon[5], a capacidade de teórica de um canal de comunicação é medida a partir da banda de freqüência e da relação Sinal / Ruído, disponíveis ao receptor.

A engenharia sempre enfrentou o problema de implementar um processo de modulação compatível com essas características do canal, de forma a aproximar-se ao máximo do limite teórico.

Em canais com muito ruído, como é o caso dos sistemas de TV via satélite, geralmente é utilizado à modulação QPSK, dessa forma se consegue uma eficiência de aproximadamente um (1) bit por Hertz.

Dessa forma um transponder de satélite, com banda de 30 MHz, é capaz de transmitir cerca de 30 Mbit/s. O processo de modulação mais eficiente consegue taxas maiores, porém à custa de uma relação Sinal / Ruído mais elevado. Nos canais de radiodifusão de TV, com banda de seis (6) MHz, existem diversos fatores que fazem com que a relação sinal / ruído mínima garantida seja de 15 a 20 dB. Existem processos de modulação adequados a esse tipo de canal, onde permitem taxas de 18 a 20 Mbit/s, o que é o insuficiente para transmissão de um sinal de vídeo digital CCIR-601, e muito menosHDTV[59]. O desejo da transmissão deHDTV[59] num canal de seis (6) MHz exige então o desenvolvimento de técnicas de compressão, que sejam capazes de reduzir a taxa bruta de 1Gbit/s para 18 Mbit/s, ou seja, seria necessário uma compressão de 50:1.

Desta forma teríamos um processo do tipo “com perda”, ou seja, o sinal recuperado após a descompactação não é exatamente igual ao sinal originalmente emitido. Então se faz necessário que o processo leve em consideração as características da visão humana, de forma que as perdas de reconstrução da imagem tenham baixa visibilidade.

A transmissão digital ainda traz outros benefícios, entre eles a compatibilidade com vários meios de comunicação diferentes ou com vários serviços diferentes no mesmo meio de transmissão, conforme ilustra a figura 18.6.1:

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Figura 18.6.1 – Compatibilidade de meio de transmissão e serviços

Fonte: adaptado de TV digital e a invasão por privacidade

19 COMPRESSÃO DA IMAGEM – PROCESSO MPEG

19.1 CODIFICADOR COM PREDITOR

O processo de compressão de dados consiste em minimizar a redundância presente no sinal emitido. Um recurso muito utilizado para tal é o uso de um codificador com preditor. O codificador com preditor procura determinar uma estimativa &( )y t do sinal a ser transmitido, sendo que estes dados se baseiam nas entradas anteriores y(t-1), y(t-2)…, conforme ilustrado na imagem 19.1. Baseando-se nisso, podemos transmitir somente o erro de predição e (t), ou seja, a diferença entre a estimativa $( )y t e o sinal real y(t). Sempre que o preditor for eficiente, o erro de predição terá uma baixa redundância e irá assumir valores muito próximos de zero, desta forma irá reduzir a quantidade de informação a ser transmitida.

Quando não há erros na transmissão, o receptor é capaz de reconstruir integralmente o sinal original, desde que os dois preditores sejam inicializados simultaneamente. Na prática, para que seja evitada a propagação de erros na transmissão, deve-se periodicamente desconectar o enlace de predição (abrir as chaves (S1 e S2) e inicializar os preditores novamente.

Figura 100 - Enlace de predição S1 e S2

Figura 19.1 – Enlace de predição

Fonte: adaptado de TV digital e a invasão por privacidade

Em aplicações de vídeo temos esta mesma situação, assim como no “frame store[6]”, que é uma tecnologia que explora o fato de que um quadro transmitido é geralmente muito parecido ao quadro transmitido anteriormente. Um preditor deste tipo trabalha com uma memória que armazena o quadro anterior, desta forma não é necessário a retransmissão de todo o quadro e sim somente das diferenças pixel a pixel entre dois quadros consecutivos. Porém este preditor falha quando há cortes de cenas, ou movimentos muito rápidos de objetos ou da câmera.

19.2 PREDITOR COM COMPENSAÇÃO DE MOVIMENTO

Para que um preditor seja mais eficiente para aplicações de vídeo, ele deve compensar os movimentos de objetos em relação ao campo de visão da câmera. Com este processo, o codificador consegue detectar o deslocamento relativo de partes de uma imagem entre dois quadros consecutivos e posteriormente, transmite essa informação na forma de vetores em movimento (sentido horizontal e vertical).

Com essas informações o preditor monta uma estimativa da imagem atual baseada e fragmentos obtidos através de uma imagem de referência, reposicionando esses fragmentos de acordo com os vetores de movimento, ilustrado na figura 19.2. Na maioria das vezes são consideradas somente translações lineares.

È  impraticável determinar quantos objetos com movimentos independentes existem em uma imagem, pois cada fotograma pode ser quebrado em blocos regulares, sendo assim determinados vetores de movimento para cada bloco.

Figura 100 - Vetores de movimento

Figura 19.2 – Vetores de movimento

Fonte: adaptado de TV digital e a invasão por privacidade

O detector de movimento é uma unidade funcional responsável pela determinação de vetores. Aplicado em cada bloco da imagem atual a ser transmitida, essas unidades fazem uma varredura na imagem de referência, procurando o ponto de maior semelhança com o bloco a ser analisado. A busca é capaz de medir o erro quadrático médio ou, ainda mais utilizado, a distorção média absoluta (DMA[34]), expressa na figura:

Figura 19.2.1 – Distorção média absoluta (DMA)

Fonte: adaptado de TV digital e a invasão por privacidade

Onde (dx, dy) é considerado o deslocamento entre a imagem de referência: (x,y) e o bloco da imagem de entrada (x, y). O valor de (dx, sy), sempre que a DMA[34]   é mínima é adotado como vetor de movimento do bloco coordenadas (x, y).

Na maioria das vezes a busca é feita dentro de uma área restrita, e/ou era utilizado processos hierárquicos, sempre que uma busca exaustiva sobre toda a imagem representa um esforço computacional elevado.

Figura 100 - Estimador de movimento

Figura 19.2.2 – Estimador movimento

Fonte: adaptado de TV digital e a invasão por privacidade

20 CODIFICADOR MPEG

O padrão conhecido como MPEG[86]-1 (ISO-IEC 11172a[7]) é utilizado para a compressão de vídeo não entrelaçado, com taxa de informação de até 1,5 Mbti/s, utilizado para vídeo-conferência e multimídia em CD-ROM.

O padrão conhecido como MPEG-2[86] (ISO13818[8]) é utilizado para compressão de imagem entrelaçadas, com taxas de 1,5 Mb/s a 100 Mb/s em aplicações de TV convencional e HDTV[59].

Ilustramos na figura 20.0 o diagrama em blocos do codificador MPEG[86], que utiliza predição com compensação de movimento, sendo executado sobre blocos da imagem de tamanho fixo.

Para o erro de predição é aplicada uma transformação conhecida como DCT[153].

O processo é iniciado através de uma conversão de formados, onde a imagem é desentrelaçada e convertida para uma dimensão adequada, eventualmente com interpolação ou re-amostragem.

Figura 100 - diagrama de bloco de um codificador MPEG

Figura 20.0 – Diagrama de bloco de um codificador MPEG

Fonte: adaptado de TV digital e a invasão por privacidade

Após a conversão dos formatos, é feito uma subdivisão em blocos de 8 x 8 pixels na imagem. Logo após a detecção e compensação de movimento na imagem, o erro de predição final é submetido a uma transformação discreta de cossenos (DCT[153]), conforme ilustrado na figura 20.0.1:

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Figura 20.0.1 – Equação para transformação discreta de cosseno (DCT)

Fonte: adaptado de TV digital e a invasão por privacidade

A supracitada expressão é utilizada para decompor o bloco original da imagem, transformando em uma soma ponderada de funções primitivas. Estas funções correspondem a componentes cossenoidais, bi-dimensionais e com freqüências espaciais sucessivamente maiores.

Listamos na próxima figura as funções primitivas da DCT[153] , onde cada coeficiente F(u,v) representa a semelhança relativa entre o bloco original e toda função primitiva correspondente.

Os coeficientes F (u,v) da DCT[153]  são arredondados, e esta etapa é responsável pelas perdas no processo. A idéia disto é conseguir que parte dos coeficientes F (u,v) terão valores o mais próximo de zero possível, onde são eliminados pela quantização.

Os coeficientes que restarem representam os componentes mais significantes do bloco da imagem gerada originalmente. Em seguida eles são reordenados e compactados através de um processo conhecido como RLE[132], onde os coeficientes nulos são descartados. Em seguida, é realizada uma codificação estatística, onde o coeficiente com maior probabilidade de ocorrência é substituído por códigos binários de menor comprimento, no mesmo momento em que as seqüências com menor probabilidade recebem códigos mais longos.

Os coeficientes compactados são combinados com os vetores de movimento, e posteriormente são transformados em pacotes para a transmissão conforme ilustra a figura 20.0.2:

 

Figura 100 - Primitvas da transformada discreta de cossenos

Figura 20.0.2 – Primitivas da transformada discreta de cossenos

Fonte: adaptado de TV digital e a invasão por privacidade

 

20.1 FLUXO DE TRANSPORTE MPEG-2

O padrão conhecido como MPEG-2 é transmitido através de canais sujeitos a erros, desta forma, ele define um Fluxo de Transporte na forma de Pacotes Elementares PES com comprimento fixo, no valor de 188 bytes.

Os PES carregam fragmentos de áudio, vídeo ou dados, conforme ilustrado abaixo, com um cabeçalho que traz informações de sincronismo e criptografia, e também um campo de identificação do programa conhecido como PID.

A figura 20.1 ilustra os pacotes de transporte no MPEG-2[86]:

Figura 100 - Tansporte de pacotes MPEG

Figura 20.1 Pacotes de transporte MPEG-2

Fonte: adaptado de MPEG[86]4IP: Open Source, Open Standards, Open Streaming

A figura 20.1.1, ilustra a estrutura do cabeçalho (4 Bytes) e os quadros de alinhamento e palavra de serviços:

Figura 100 - Estrutura do Header MPEG-2 (4 Bytes)

 

Figura 20.1.1 – Estrutura do header MPE-2 (4 Bytes)

Fonte: adaptado de MPEG-4 IP: Open Source, Open Standards, Open Streaming

 

Desta forma o fluxo de transporte é capaz de carregar diversos programas independentes, compartilhando o mesmo canal de comunicação. Ilustramos na próxima figura o funcionamento da multiplexação de pacotes, onde informações de áudio, vídeo e dados são reunidos de um fluxo de programa, onde diversos fluxos de programa são agrupados em um fluxo de transporte, este inclui ainda pacotes de Mapa de Programação e Informações do Sistema.

Os últimos trazem tabelas referentes aos sistemas de transmissão e modulação utilizada, e também mapas de canais virtuais e outras informações relevantes a rede de distribuição.

Para sistemas de transmissão por um canal de taxa fixa, o buffer de saída amortece as alterações estáticas de taxa de bits de cada programa, e também o ajuste de quantizadores em codificadores de vídeo onde podem ser feitos através de função do grau de ocupação deste buffer, desta forma é garantida uma taxa media constante. A imagem 20.1.2 ilustra o sistema de multiplexação do buffer:

Figura 100 - Buffer, sistema de multiplexação

Figura 20.1.2 – Buffer, sistema de multiplexação

Fonte: adaptado de MPEG-4 IP: Open Source, Open Standards, Open Streaming

21 PADRÃO ATSC DE TV DIGITAL

O sistema conhecido como ATSC[4] é o padrão adotado na América do Norte para radiodifusão de Televisão Digital. Ele utiliza a modulação 8-VSB.

Ele faz uso da compressão MPEG-2[86] para vídeo e Dolby AC-3 para áudio. Os dados são comprimidos e ficam formatados em pacotes MPEG-2[86], posteriormente multiplexados em fluxo de transporte de 19,6 Mbti/s. A figura 21.0 ilustra processo de codificação e transporte do MPEG-2[86]:

Figura 100 - Processo de codificação e processo do MPEG-2

Figura 21.0 – Processo de Codificação e Modulação do MPEG-2

Fonte: adaptado de MPEG-4 IP: Open Source, Open Standards, Open Streaming

A etapa de Modulação inclui um randomizador, onde sua função é tornar os bits equiprováveis, mesmo tendo ausência de informação para ser transmitida. Posteriormente, são aplicados dois códigos de correção de erros Reed-Solomon[9] e Convolucional, que introduzem redundância de forma que é permitida a correção de erros no receptor. Dessa forma é elevada a taxa de bits para 23,3 Mbti/s.

Em seguida, os bits são agrupados formando símbolos, onde cada símbolo corresponde a um pulso de amplitude diferente (oito (8) níveis), carregando três (3) bits de informação. A taxa destes símbolos é de 10,76 Mbti/s. Após isso, são inseridos novos símbolos de sincronismo, e para auxiliar a sintonia do receptor é inserido uma portadora piloto.

Os símbolos servem para modular uma portadora e são filtrados de forma a limitar a banda em 6 MHz, e são transmitidos para o transmissor. A figura 21.0.1 ilustra o processo de inserção de filtros, sincronismo, equalizador e modulador na portadora corrente:

Figura 100 - Inserção de filtros, sincronismo, equalizador e modulador na portadora corrente

Figura 21.0.1 – Processo de inserção de filtros, sincronismo, equalizador e modulador na portadora corrente

Fonte: adaptado de MPEG-4 IP: Open Source, Open Standards, Open Streaming

O resultado do sinal transmitido é um espectro plano, e a envoltória é similar a um ruído de sinal aleatório conforme ilustra a figura 21.0.2:

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Figura 21.0.2 – Ilustração do processo do sinal transmitido, denominado como espectro plano e envoltória do sinal 8-VSB

Fonte: adaptado de MPEG-4 IP: Open Source, Open Standards, Open Streaming

O sistema tem um desempenho caracterizado pelas curvas abaixo, que indica uma taxa de erros de blocos, devido à relação sinal / ruído do canal. É possível então ter visibilidade dos erros, que é experimentalmente determinado, onde ocorre uma relação sinal / ruído de 14,9 dB. Devido ao entrelaçamento temporal utilizado, o sistema ATSC[4] suporta surtos de ruído impulsivo de até 190 µs dentro de um período de quatro (4) ms.

O VSB é muito insensível a ruídos de fase (erros aleatórios na fase da portadora). O limiar de percepção de interferência co-canal de um sinal digital sobre o analógico ocorre para potência média digital 45 dB abaixo da potência de pico do sinal analógico.

A figura 21.0.3 ilustra o desempenho do sistema ATSC/8-VSB[4]:

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Figura 21.0.3 – Desempenho do sistema ATSC/8-VSB

Fonte: adaptado de MPEG-4 IP: Open Source, Open Standards, Open Streaming

Através de testes em campo foi demonstrado que o sistema ATSC[4] é muito sensível a efeitos de multi-percurso, isso ocorre quando o sinal transmitido chega ao receptor através de vários caminhos, sendo que cada caminho tem um tempo de propagação diferente. Existe uma técnica utilizada para compensar o multi-percurso que se consiste na equalização adaptativa, que tenta compensar os vários “ecos” do sinal principal através da criação de “contraecos[10]” simulados do lado do receptor.

Isso não é funcional quando os ecos na transmissão possuem uma amplitude comparável ao sinal principal, o que existe, quando, por exemplo, há reflexão no solo.

22 MODULAÇÃO OFDM

O processo de modulação OFDM[111]  foi criado para vencer os problemas encontrados devido ao multi-percurso, e ele é utilizado nos padrões europeu (DVB-T[11]) e japonês (ISDB-T0[12]). A modulação 8-VSB utiliza símbolos de curta duração (menor que 100ns), estes símbolos ocupam todo o espectro disponível de seis (6) MHz.  A modulação OFDM[111], por sua vez, utiliza símbolos de longa duração (até 1ms), porém ele utiliza uma banda estreita (acima de um (1) Khz). Desta forma milhares de símbolos podem ser transmitidos em paralelo, ocupando o canal de 6 MHz. A figura 22.0 ilustra o processo de modulação OFDM[111] :

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Figura 22.0 – Processo de modulação OFDM

Fonte: adaptado de adaptado de TV digital e a invasão por privacidade

Todo símbolo se consiste de uma determinada amplitude e fase de uma portadora, a combinação dos dois itens pode transportas de 1 a 6 bits por símbolo (modulação BPSK a 64-QAM). Desta forma, transmitindo um símbolo, o final se propaga por vários percursos chegando ao mesmo destino (receptor). Após um intervalo de alguns micro-segundos, todos os percursos se estabilizam, e após isso o receptor começa a demodular a informação daquele símbolo levando em consideração a energia total resultante de todos os percursos. Desta forma, a duração total TS do símbolo consiste de uma duração útil TU somada ao intervalo de guarda TG que será descartado no receptor.

Todos os sistemas que se baseiam na modulação OFDM[111] podem operar mesmo com ecos na mesma amplitude do sinal principal. Com isso fica possível o uso de repetidoras, trabalhando na mesma freqüência, para conseguir cobrir regiões que tenham problemas de propagação. Porém se falando do OFDM[111] temos a desvantagem de exigir maior potência do transmissor (cerca de 2 a 4 dB acima do utilizado para o 8-VSB) para a mesma taxa de erros, e também é mais sensível a ruído de fase na portadora. A imagem 22.0.1 ilustra o processo de comparação de desempenho entre o 8-VSB (ATSC) e o OFDM[111]  (DVB-T):

Figura 100 - Processo de comparação de desempenho entre o 8-VSB (ATSC) e o OFDM (DVB-T)

Figura 22.0.1 – Processo de comparação de desempenho entre o 8-VSB (ATSC) e o OFDM (DVB-T)

Fonte: adaptado de adaptado de TV digital e a invasão por privacidade


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